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Proposta Pedagógica
Valores para uma vida feliz!
“Só será feliz o homem
cujas ações sejam sempre pautadas pela virtude e essa chamada
virtude só poderá ser adquirida através da educação”.
Sócrates
Nosso modelo pedagógico acredita que vias de solução não
estão em doar de forma paternalista, objetos de consumo (que
condenam à passividade) ou em oferecer modelos de vida
inalcançáveis, mais sim em assumir a riqueza que é cada ser humano
apesar de todas as suas carências, em recobrar ativamente sua
auto-estima e seu poder de autonomia, através da educação.
Educar. Palavra de apenas seis letras que traz consigo um
amplo leque de responsabilidades que deixa qualquer pai ou educador
que se proponha à árdua tarefa de ensinar uma criança a trilhar os
caminhos do mundo inseguro. A violência, a falta de respeito e o
individualismo – algumas das marcas registradas dos dias atuais –
levantam questões sobre como andam e como transmitir dois conceitos
fundamentais da boa educação e do convívio social: a moral e a
ética.
Os valores e a investigação ética
Texto baseado em palestras de três filósofos em 2004:
Dalva Aparecida Garcia Josué Cândido da Silva e Isabel Santana.
Não se nasce sabendo viver em grupo; a convivência com os
outros é aprendida no decorrer da vida e se fundamenta em valores:
“ideais reguladores que orientam nossas ações”.
Ética e moral
Tanto ética, quanto moral tratam da possibilidade de viver
com o outro, mas há diferenças. A palavra ética vem do grego ethos e
significa o lugar, ou habitar. Viver com o outro quer dizer
compartilhar ou criar o mesmo lugar; a difícil tarefa de aprender a
viver bem com alguém. Já o termo moral vem do latim mores,
caracterizando as regras, costumes e leis que permitiam que as
pessoas vivessem juntas nas cidades romanas. A moral prescreve
aquilo que devemos fazer, o certo e o errado; só que no mundo
moderno, os valores que recebemos das gerações anteriores não
respondem necessariamente a nossos anseios, eles estão continuamente
em questão. O processo de questionamento e problematização dos
valores é chamado de investigação ética da moral. A ética é uma
reflexão crítica sobre a moralidade.
Como fazer quando os valores estão em conflito? Os valores
realmente dignos de serem buscados são os que o maior número de
pessoas concordaria que devem ser desejáveis para todos. Isso quer
dizer que precisamos conhecer outros pontos de vista e negociar com
os outros em vez de impor o que julgamos ser certo. É necessário
estabelecer um espaço de diálogo, o que não equivale à conversa nem
discussão.
Segundo o filósofo Martin Buber, há vários tipos de
conversação: em uma conversa, um fala e o outro ouve, há uma troca
de informações de “uma mão só”: ela vai e volta, mas não chega a
lugar nenhum. Já em um debate, sempre existe a idéia de competição:
alguém ganha. O colóquio amoroso é outra forma de conversação:
aquela “conversa mole” para seduzir o outro. Para haver diálogo é
necessário respeitar o outro como diferente e acreditar que o que
ele tem a dizer é realmente importante. O diálogo pressupõe que
vamos ouvir e rever nossas idéias.
O exercício do diálogo implica a retomada da autonomia, isto
é, nossa capacidade de construir nós mesmos as regras que irão
balizar nosso comportamento. Então, quando investigamos a razão de
um determinado comportamento, não basta constatar que foi porque
“meu pai mandou” ou porque “me deu vontade”. Uma moral e um
pensamento autônomo implicam uma segunda pergunta: quais as
conseqüências da minha escolha para as pessoas que estão a minha
volta e para mim mesmo? A conquista da autonomia só pode existir com
o diálogo. Como nós educadores podemos incentivar crianças e jovens
à prática da investigação ética?
O amor como base do desenvolvimento
integral
“... a formação integral do homem, que permite o pleno
desabrochar de todas as suas potencialidades – como queria
Pestalozzi - depende em primeiro lugar da capacidade de amor dos
educadores e do grau de lucidez desse amor. Depende de uma espécie
de clima espiritual positivo, manifestado em forma de benevolência,
entusiasmo e compreensão, que, circundando a criança, faça vir à
tona sentimento de reciprocidade e ao mesmo tempo incite o seu
potencial de desenvolvimento moral e intelectual. Apenas quando a
criança encontra no outro (na mãe, no educador) um espelho em que vê
refletida sua imagem verdadeira, em que identifica uma força
propulsora de aperfeiçoamento, ancorando-se num sólido e saudável
vínculo afetivo, é que seu desenvolvimento será equilibrado e
seguro”.
Incontri, Dora. Pestalozzi – Educação e Ética. 1997
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